Litro de Luz Brasil, o início de tudo - Parte 2

Litro de Luz Brasil, o início de tudo – Parte 2

Em paralelo à fundação do Litro de Luz no Brasil, o Liter of Light também desenvolvia uma primeira solução noturna, que consistia em um poste com uma placa solar, uma bateria de chumbo (semelhante à de moto, mas sendo estacionária ao invés de automotiva), um conjunto de LEDs e uma placa de circuito que realiza o controle da solução, fazendo a placa solar carregar a bateria durante o dia e o LED ser acionado apenas durante a noite. Essa solução noturna inspirou mais tarde o desenvolvimento do poste solar.

Litro de Luz Brasil, o início de tudo - Parte 2

No ano de 2015, devido ao contexto das comunidades brasileiras serem diferentes, o Litro de Luz Brasil deixou de produzir as soluções diurnas e começou a trabalhar com o poste solar noturno desenvolvido pelo Liter of Light, tendo sua primeira ação de instalação dos postes realizada em Junho de 2015 no Rio de Janeiro, na comunidade Vila Beira-Mar, em Duque de Caxias, onde foram instalados 27 postes solares. Entre os participantes dessa ação estavam Laís Higashi e Leonardo Uematsu, que se interessaram em levar o Litro de Luz para São Paulo, junto com outros voluntários.

Os primeiros postes solares foram montados do zero na comunidade, desde a furação e montagem dos canos até a corrosão das placas e solda dos componentes do circuito.

Primeiro circuito controlador utilizado nos postes solares

No mesmo ano, em novembro, foram instalados 30 postes em São Paulo, na comunidade Vila Moraes, em São Bernardo do Campo, e em dezembro foram instalados 20 postes em Santa Catarina, na comunidade Vila União, em Florianópolis.

Lais Higashi hoje é presidente do Litro de Luz no Brasil, sendo a segunda presidente da história da organização, posição que ocupa desde 2016, sucedendo Vitor Belota na presidência. Leonardo Uematsu hoje é vice-presidente com ênfase em Operações & Tecnologia do Litro de Luz Brasil, cargo esse que ocupou a partir de 2018.

Ainda em 2015, o Litro de Luz começou a ser dividido por cidades, cada uma com seus voluntários dedicados. Chamamos essa divisão de “células”.

As primeiras células criadas foram: A célula do Rio de Janeiro, onde ocorreu a primeira ação de instalação das soluções noturnas; a célula de São Paulo, considerada hoje a cidade-sede do Litro; e a célula de Florianópolis, onde ocorreram os primeiros projetos pilotos do Litro de Luz e foi refundada em 2015 devido à ação que ocorreu no mesmo ano na Vila União por meio de um edital da ACIF.

Mais para frente, o Litro de Luz atingiu outras cidades e outros perfis de comunidades.

Em Brasília, no Distrito Federal, Larissa Barros e Luisa Correia conheceram o Litro através do ENEJ, em 2015, no qual o Vitor Belota palestrou, com isso, as duas se interessaram no projeto e procuraram Vitor para trazerem o Litro de Luz para Brasília.

Após todo o alinhamento com o Vitor, as duas foram em busca de uma comunidade na região que necessitasse de iluminação, dando início ao projeto em Brasília e recrutando mais voluntários, tendo também o apoio e a parceria da ENETEC, uma empresa júnior da da UnB que contribuiu na compra de materiais para as soluções das primeiras ações.

Em 2016, encontraram uma comunidade em Sol Nascente que precisava de iluminação nas ruas e vilas, com o apoio da Codhab (Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal) e após todo o alinhamento com o Litro e com o interesse da comunidade nas soluções do Litro, foi realizada a primeira ação na comunidade pela célula de Brasília em Agosto daquele ano, onde os postes do Litro contribuíram para a segurança do local à noite. A ação teve o apoio e a parceria da Codhab e da Bancorbras. Nosso trabalho, que vai muito além da instalação, impactou de forma bastante positiva tanto a comunidade quanto os moradores que participaram da ação. Um dos moradores da comunidade, o Jonatas, tinha interesse em cursar Engenharia Elétrica, na época tinha 70% de certeza e já estava se preparando para o vestibular. Depois que um dos voluntários o presenteou com uma apostila de estudos, teve 100% de certeza de que iria fazer essa graduação e, após um tempo, fez o vestibular na UnB e foi aprovado para o curso.

Ainda em 2016, o Litro de Luz ganhou o prêmio “The St. Andrews Prize – For The Environment”, prêmio esse realizado pela parceria entre a Universidade St. Andrews da Escócia e a ConocoPhilips que permitiu a realização de uma das principais metas de atuação do Litro de Luz: iluminar comunidades ribeirinhas na Amazônia, onde se encontra a maior parte das famílias sem energia no Brasil. Assim, a célula de Manaus, no Amazonas, também foi fundada em 2016.

Com esse novo contexto no Amazonas, o Litro de Luz desenvolveu o Lampião Solar, uma solução portátil que a pessoa pode levar para onde quiser e pendurar em algum lugar da casa, como na cozinha para jantar com mais segurança ou no quarto para estudar, cujo circuito foi baseado no Litro de Luz da Itália, circuito esse que passou a ser utilizado também nos postes solares.

O Lampião Solar foi apresentado pela primeira vez durante uma reunião em uma das comunidades do Amazonas.

Foto do primeiro Lampião desenvolvido pelo Litro de Luz

A primeira ação no Amazonas ocorreu em Setembro de 2016, em uma comunidade indígena chamada Dominguinhos. Foram instalados 20 postes e 10 lampiões solares. No ano seguinte, em março de 2017, foi feita a primeira grande ação do Litro de Luz, em um total de 7 comunidades ribeirinhas, onde foram instaladas mais de 200 soluções, sendo a maioria lampiões. Foi também quando o Litro de Luz apareceu no programa do Fantástico, da Rede Globo, o que ajudou muito a ganharmos mais visibilidade.

Em paralelo à primeira ação no Amazonas, também foi fundada a célula de Campina Grande, na Paraíba em 2016 por André Trócoli, que conheceu o Litro de Luz durante um intercâmbio na Colômbia e se interessou em levar o projeto para Campina Grande.

Após se alinhar com a presidente da organização, a Laís, André fechou parceria com o IEEE-UFCG (filial da IEEE da UFCG) e PET Elétrica – UFCG (Programa de Educação Tutorial da UFCG) fundando a célula de Campina Grande, se tornando uma importante fonte de Pesquisa e Desenvolvimento da tecnologia do Litro de Luz. A primeira ação gerida pela célula de CG foi em Novembro de 2017, na comunidade Mutirão, localizada também na região de Campina Grande, onde foram instalados 10 postes.

Em paralelo a tudo isso, o Litro de Luz implementou várias melhorias no poste solar, como a troca do circuito impresso pelo mesmo circuito utilizado no Lampião, a fixação das placas com perfil metálico, introdução da caixa hermética para proteger a bateria, o circuito e as ligações elétricas, troca da estrutura da cabeça do poste por canos menores e substituição do bocal de lâmpada por tampa de garrafa para fixação dos LEDs, entre outras, resultando em melhor custo/benefício do poste e facilidade para realizar manutenção.

Poste melhorado sendo exibido no Campus Party, no começo de 2017

Ainda em 2017, houve outros momentos históricos. Em setembro daquele ano, foi feita a primeira ação em uma comunidade quilombola, na região Kalunga, mais especificamente no Prata, onde foram instaladas mais de 100 soluções, inclusos postes e lampiões. A ação ocorreu na região de Cavalcante, em Goiás, e foi gerida pela célula de Brasília. Nessa ação, o Litro de Luz fez uma importante melhoria nos manuais de montagem das soluções, com as explicações e o passo-a-passo em figuras, eliminando os textos contidos, tornando o manual mais acessível, mesmo para quem não é alfabetizado, essa metodologia é utilizada até os dias de hoje na confecção dos manuais de montagem do Litro, tanto para ações quanto para oficinas.

Leia também Litro de Luz Brasil: o início de tudo

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