Os impactos da iluminação na produtividade

Os impactos da iluminação na produtividade

Artigo de Stephanie Messa, arquiteta projetista Luminotécnica na empresa Conexled, analisa os impactos da luminosidade em diversos ambientes

Um bom sistema de iluminação usa cores, texturas e a criação de contrastes de forma adequada para produzir um ambiente com conforto visual. Se trata de um assunto extremamente importante, pois, mal aplicados, estes conceitos podem interferir diretamente na produtividade e na qualidade de vida de quem ocupa o ambiente. Um espaço com iluminação inadequada, por exemplo, pode provocar um acidente de trabalho.

Para obtermos o máximo de conforto visual em um ambiente, devemos especificar produtos com adequada reprodução de cor; evitar lâmpadas ou luminárias que superaqueçam (alterando a temperatura do ambiente); e evitar o ofuscamento direto ou indireto, lembrando sempre que a luz mais confortável para os nossos olhos é a luz natural  e que devemos, inclusive, explorar ao máximo, estimulando o consumo real e sustentável de energia.

A iluminação artificial não pode, de maneira alguma, atrapalhar o ciclo circadiano do indivíduo. Este é o ciclo biológico de todos os seres humanos e de quase todos os seres vivos. Se baseia em um período de 24 horas, sendo influenciado pela variação de luz entre o dia e a noite.

Este ciclo biológico, ou como chamamos, ritmo circadiano, regula todos os ritmos psicológicos e materiais do corpo humano e influencia na renovação de celular, controle de temperatura do corpo, digestão e estado de sono. Basicamente, interfere na maior parte dos hormônios que produzimos.

Um exemplo simples dessa alteração de relógio biológico na prática, é um hábito comum nos dias de hoje: utilizar o celular durante o período em que se está prestes a repousar. Essa prática inibe o sono, justamente por decorrência da luz com temperatura de cor mais fria presente nas telas dos celulares, alterando, dessa forma, o estado do indivíduo naquele período do dia (produção da melatonina, o hormônio do sono).

Estamos constantemente em direto contato com a iluminação artificial, que se não for bem projetada, altera totalmente esses ciclos naturais do nosso organismo e também, claro, na nossa produtividade. É um processo natural do corpo acompanhar as fases da luz do dia: pela manhã e ao entardecer (temperaturas de cor mais quentes) são horas, respectivamente, de despertar suavemente ou de começar a produção de melatonina, para então, adormecer. Já durante o dia, e, proporcionalmente, mais próximo do meio-dia (temperaturas de cor mais neutras ou frias), a luz proporciona ao corpo um estado de atenção (ou alerta). Veja a imagem abaixo:

A iluminação do ambiente deve ser adequada à sensação que se pretende passar ao indivíduo. O nosso relógio biológico determina quando devemos nos sentir cansados, em estado de alerta, quando devemos ter fome, além de tarefas noturnas, como limpeza celular e de reparação.

Já existem estudos que comprovam que um organismo exposto durante muitas horas do dia a uma temperatura de cor elevada, como 6500K, pode desregular o relógio biológico e causar um desconforto no organismo, como perda do sono, irritabilidade, ganho de peso, estresse, entre outros.

Quanto ao ofuscamento, é necessária atenção ao contato direto da fonte de luz com o olho humano. O mesmo se aplica a superfícies altamente refletoras, como pisos reflexivos, por exemplo, que podem rebater a luz de uma fonte luminosa em direção à linha de visão do observador.

A escolha correta da temperatura de cor da lâmpada influencia diretamente na sensação que o ambiente transmite, alterando a produtividade e até o humor. Se um mesmo ambiente está destinado a dois usos, o ideal é combinar diferentes cores para ele ou ter uma iluminação inteligente, para que, de acordo com cada tarefa exercida, o sistema ideal seja acionado e desligado ao término da atividade.

A utilização de cores mais frias para ambientes de trabalho, grandes comércios e indústrias e mercados ajudam na atenção, concentração, visibilidade de produtos etc. A utilização de cores mais quentes para áreas de descanso ou descontração, como salas e quartos traz sensação de aconchego.

É também necessário atenção às cores e texturas do ambiente, pois esses fatores afetam diretamente o efeito desejado da luz. Ambientes escuros, por exemplo, absorvem mais a luz. Ambientes mais claros, refletem mais a luz. O mesmo conceito se aplica a superfícies lisas e rugosas. Superfícies lisas têm o poder de refletir mais a iluminação aplicada, enquanto superfícies rugosas tendem a refletir menos. Materiais como vidro têm o índice de reflexão 0%, enquanto os espelhos, 100%.

A temperatura de cor pode influenciar emocionalmente e subconscientemente o usuário a favor dos ambientes comerciais. É usual vermos uma iluminação mais quente e confortável em ambientes onde o propósito é criar um espaço de permanência ao usuário, no qual as pessoas se sintam à vontade para relaxar e permanecer por longos períodos de tempo – como restaurantes, bares e áreas de convívio – induzindo, assim, o consumo no local e, consequentemente, aumentar o número de vendas do estabelecimento por tempo de permanência do cliente.

O contrário se aplica em redes de restaurante do tipo Fastfood que, na maioria dos casos, possui uma iluminação mais fria. Essa escolha é feita justamente para que gere uma sensação de agitação para que o consumo seja feito de forma rápida e, consequentemente, a circulação de clientes seja maior, gerando, assim, mais consumo para as redes.

Duas técnicas, que funcionam em suas diferentes aplicações graças ao auxílio da iluminação e escolha da temperatura de cor correta para cada uso. Esses estímulos visuais interferem na ambiência e no fluxo do espaço, promovendo diferentes sensações dependendo das aplicações.

Residencial

O mesmo conceito se aplica a ambientes residenciais, como a iluminação de uma cozinha, onde precisa-se de atenção e precisão nas tarefas de trabalho. Com isso, para ambientes que envolvam preparo de alimentos, o ideal é uma temperatura de cor mais fria. Em seguida, podemos analisar um ambiente mais aconchegante, de descanso e estar. Nestes casos, devemos optar por temperaturas de cor mais quentes, que promovam a descompressão.

Escritório

Escritórios são ambientes em que os usuários passam grande parte do dia, do início do dia até o fim da tarde. Muitas vezes, esses ambientes não têm contato com a iluminação externa, impedindo a incidência de luz solar, além de terem uma temperatura de cor mais fria, o que altera o ritmo circadiano dos funcionários.

Alguns estudos apontam que o ideal para este tipo de ambiente é um produto específico que tenha variação da temperatura de cor conforme o passar do dia, podendo programar as temperaturas de cor mais quentes para o início da jornada de trabalho e fim de expediente (simulando o nascer do sol e entardecer), e temperaturas de cor mais frias para ao longo do dia, promovendo produtividade e agitação.

O papel de um lighting designer, arquiteto e fornecedor responsável que tenha luminárias de qualidade e ofereça auxílio na escolha de equipamentos com a temperatura de cor ideal para o ambiente projetado é fundamental para o resultado desejado em relação à sensação daquele espaço, trazendo uma melhor ambiência e conforto visual para uma determinada atividade.

Stephanie Messa é arquiteta projetista Luminotécnica na empresa Conexled. Pós-graduada em Lighting Designer e Master em Arquitetura.
Leia também Luz à noite: a importância da iluminação de qualidade e a sua preservação noturna

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