Captação - Os mastros do SPDA

Captação – Os mastros do SPDA

Artigo de Orestes Rodrigues Junior aborda o perigo proveniente de um sistema de captação fora de normas e expõe os riscos existentes para a estrutura e ocupantes

Muitos dizem que o sistema de para-raios é muito simples, é fácil de instalar, até porque podemos comprar os materiais em qualquer ponto comercial e, com um simples aprendizado por meio das redes sociais, que está em alta, podemos ter um sistema até “sem responsável técnico”, não é mesmo?

Quanta inocência, inocência esta que tem trazido à tona um sistema de captação fora de normas e com riscos tanto para a estrutura quanto para as pessoas que estão naquele local.

Nas imagens abaixo, temos o exemplo de um condomínio com dois blocos independentes.

Na imagem 01, vemos o emaranhando de cabo coaxiais junto às “curvas” de conexão da barra chata de alumínio 70mm² ao pé do mastro. Da forma instalada, pode ocasionar indução de corrente, levando à queima do amplificador de distribuição de antenas ou até mesmo, dos próprios televisores dos apartamentos; além disso, uma instalação com dobras excessivas que podem gerar centelhamentos e com apenas um parafuso mal apertado.

Captação - Os mastros do SPDA
Imagem 01 – Risco de indução em caso de descarga.

Na imagem 02, do outro bloco, o mesmo acontece com a má conexão da fita junto ao mastro, que ao lado possui uma tubulação metálica com passagem de cabos não blindados.

Imagem 02 – Conexão em não conformidade.

Mas a pergunta que fica é: o que aconteceria se neste prédio tivesse sido adotado apenas o ângulo de proteção, conforme um dos três pilares de posicionamento e métodos que temos na ABNT NBR 5419:3/2015, item 5.2.2 especificamente a alínea “a”?

A instalação já está em total desacordo, pois as conexões precisam ser firmes e, geralmente, com dois parafusos e duas derivações, isso quando instalado diretamente no mastro, normalmente, na ponta inferior e compreendendo cerca de 20cm de conexão. Uma forma segura, não apenas para dissipação da descarga, mas também, caso um destes parafusos possam se soltar com o decorrer do tempo e a inspeção visual não ocorra com a frequência sugerida no item 7.3.1, alínea “d”.

Outro ponto muito comum são as conexões diretamente no suporte-base do mastro, o que reduz a condutibilidade da descarga, podendo, ali mesmo, sofrer consequências desastrosas devido ao seu ponto de impacto, assim como mostram as imagens 03 e 04.

Imagem 03 – Aterramento na base e parafuso “frouxo”.

Imagem 04 – O ponto estava “frouxo” e soltou com o impacto.

Com este problema na equipotencialização da antena, ao receber o forte impacto, sua base de cimento foi danificada, expondo, inclusive, a manta impermeabilizante.

Já a penúltima imagem, 05, nos trás à tona que a falta de experiência de alguns prestadores fazem com que o “desserviço” da engenharia siga de forma acelerada, deixando nossas instalações cada dia mais ineficientes, indo em desacordo com uma das frases mais esclarecedoras em nossa norma, afinal, esta imagem traduz, de outra forma, que utilizaram um “recurso artificial”1, não é mesmo?

Detalhe: a foto foi tirada em uma unidade básica de saúde, em São Paulo.

Esta norma somente especifica os métodos de captação citados nesta seção. Recursos artificiais destinados a aumentar o raio de proteção dos captores ou inibir a ocorrência das descargas atmosféricas não são contemplados nesta norma. ABNT NBR 5419:3/2015, item 5.2; 5.2.1 – Geral

Imagem 05 – Inconformidade.

Particularmente, como muitos outros bons profissionais, indicamos a conexão através de cabo de cobre nu, 35mm², sendo um dos materiais de captação mencionados na tabela 6 da ABNT NBR 5419:3/2015, conectado ao captor Franklin, com duas derivações de descidas, conforme imagem 06.

Captacao-Os-mastros-do-SPDA-2
Imagem 06 – Franklin em mastro com duas derivações.

Este é o caso padrão e normativo; captor Franklin com duas saídas, sendo uma dissipação mais uniforme junto à gaiola da Faraday até os subsistemas de descidas, além de ser o único sistema permitido no Brasil em captação de mastro ou conhecido também como haste.

Quer segurança? Não invente! Afinal, vidas e patrimônios estão sob sua responsabilidade.

Normas consultadas: ABNT NBR 5419:2015, parte 3.

1 Aqui, apenas uma forma de dizer que o sistema apresentando não é permitido; os materiais da forma empregados não atendem à norma vigente.

Imagens 1-4 e 6: arquivo particular.

Imagem 5: Marcos A. Ferraz.

Nota: o texto da ABNT NBR 5419:3/2015 mencionado, refere-se aos para-raios não convencionais, como: radioativos, ESE, PDI, CTS, pois não comprovaram eficácia pelo comitê científico internacional.

Artigo de Orestes Rodrigues Junior, membro da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e diretor de Marketing da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel)
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